sábado, dezembro 12, 2015

Paz

O querer da página em branco é a vontade de seguir.
O lápis em punho rabisca sem parar. Folhas soltas. Soltos versos. Gestos.
Faz do branco o tudo, o nada, a essência.
Criar o que se sente é libertador.
Livre. Traz de volta a liberdade do rascunho, da folha em branco.
Do sentido, sentimento.


Refugio

Há sensações
que não precisam
de nenhuma
explicação.

Há momentos
em que o bem amado
gosto de se sentir
amado
vale o dobro
do tempo em que se teve dúvida.

Há sentimentos
que se adaptam,
transformam,
não importa quão
disformes
tenham sido.

Há certezas,
dúvidas,
choros bons.
Emoções boas que te tiram o sono,
o medo,
dão conforto.

Deixam sorrisos,
daqueles que os olhos se encolhem,
para que todas as expressões
se irradiem em torno de uma sensação.

Há pessoas que te proporcionam
isso,
um tanto disso,
que te fazem tão bem.
Extremamente bem.

Morada

Foi tarde de verão
foi noite
foi dia na madrugada.
Foi quente.

Agora é frio.
Repele.
Mas ainda é quente aqui.
Nunca vai deixar de ser.

Há uma constante que diz
"fique, não tenha pressa"
o que vale a pena
modifica
reestrutura.

Teve nome,
teve na indefinição
a sua forma definitiva.
Habita ainda aqui.
E sempre terá morada,
pois todo ar gélido
acha conforto em casa.



Nota sobre a brisa

Aproveitando a calmaria da brisa que se mostra.
Em dias de sol é que a paciência se mostra como a virtude dos que tem fé no silêncio sábio de acreditar em si.

Ausência

Sabe quando você sente falta dos mínimos detalhes? Como do cheiro, do gesto ao colocar o cabelo atrás da orelha, da maneira como arruma o óculos no rosto, do andar, da falta de jeito, dos momentos desastrados, do pijama, do cabelo bagunçado pela manhã. Quando você sente falta de como dorme, do fato de se mexer constantemente, de rolar para o seu lado durante a noite, do mau humor matinal. Sente falta até da indecisão decisiva em escolher a roupa do dia, o chinelo, da confusão do dia a dia. Da carteira velha que você sugere trocar, mas acha graça da maneira apegada com coisas menores.
Sabe quando o que te faz falta é o dia a dia, a disciplina indisciplinada da rotina que você de fato nunca teve. Quando a falta se faz todo dia, toda hora e todo minuto.
Sabe quando você sabe que só quem importa faz esse tipo de falta, esse tipo de saudade. Sabe?

sexta-feira, dezembro 04, 2015



Logo vi que tudo que envolve, dispõe e absorve é o que te mantém nessa jornada. De crenças, descrenças e remadas em mar aberto.
Soltos feito oferenda vão seus sonhos a flutuar, seus medos alinhados à maré. Vão e vem todos os dias.
E nesse composto de vivências é onde encontramos nossa essência. Há quem a perca todos os dias, e outros que passam a vida buscando. O equilíbrio está em não perdê-la de vista nunca. Percorrendo essa corda bamba todos os dias, sem ousar olhar para baixo.
Rabisco ideias para manter essa essência intacta e sempre ao alcance dos olhos, longe ou perto, vive em mim na ponta do lápis. Nos olhos de quem me encanta.


Fica?



Quanto mais for
Menos se cria
Menos se guia
Mais se esconde
Mais se reprime.

Então fica
e faz dessa confusão
que aqui se formou morada.
Faz dessa falta de fuga
a essência da permanência.
Fica. 
E põe os pés na mesa,
tire os sapatos, os laços,
o gato da cadeira.
Fica.
Com a cabeça deitada em minhas pernas, 
com os olhos fechados enquanto um cafuné eu te faço.
Fica. 
E faz do jeito mais fácil,
se prende aqui no meu compasso
e me deixa mostrar que ficar 
é o que eu mais faço.