segunda-feira, janeiro 23, 2012

Aslam vive


"E aí aconteceu uma coisa muito engraçada. As crianças não tinham ouvido falar de Aslam, mas no momento em que o castor pronunciou o nome esse nome, todos se sentiram diferentes. Talvez isso já tenha acontecido a você em sonho, quando alguém lhe diz qualquer coisa que você não entende mas que, no sonho, parece ter um profundo significado – o qual pode transformar o sonho em pesadelo ou em algo maravilhoso, tão maravilhoso que você gostaria de sonhar sempre o mesmo sonho."


Buscar sentido em coisas e detalhes em coisas que você conviveu durante boa parte da sua vida. E é assim que os significados dos seus passos e atos vão se justificando. Como um bom livro de infância que se torna um reconhecimento na sua vida adulta.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

The Big Brother is Watching You


Assistir televisão hoje em dia é se dedicar ao poder de abstrair ou escandalizar. Está cada vez mais difícil sentar e ligar a TV no jornal do dia, isso porque a maioria deles só se preocupa com o sensacionalismo barato recorrente na mídia brasileira. É o que dá dinheiro, ibope, não é? Veja um caso, você assiste todos os dias no seu telejornal que alguém bebeu e bateu o carro e matou, feriu ou provocou alguma tragédia, mas será que você notou que quando o próprio entra no intervalo são os comerciais de cerveja ou de seguro dos bancos que mais aparecem?
Se você preferir pode pular essa parte, talvez seja mais fácil sentir vontade de beber aquele refrigerante da propaganda e gastar dinheiro bebendo aquela cerveja nova com ‘cara’ de mulher atraente. Não podemos ser hipócritas, todos fazem isso, você não foge a regra, mas a hipocrisia se difere da ignorância. Compreender o que se compra e o que se vende, em sua essência (talvez nem tão profunda), é tão necessário quanto trocar de canal na hora do horário político.
Não venho julgar estratégias de marketing ou seus gostos pessoais por canais ou cortes de cabelos das apresentadoras, venho colher pequenos toques do que percebi e aprendi. Compartilhar com as palavras. E só.
Abstrair é necessário, por isso existem filmes e novelas, porque você precisa digerir tudo que engole no noticiário lentamente sem perceber enquanto chora/ri da vida contada por personagens que muitas vezes se assemelham a sua (tirando a parte de que você não ganha na loteria, claro). E não digo que não as acompanho, gosto muito delas!
 É essa função de quem fatura com televisão e eu nem sou especialista nesse assunto, sou apenas uma espectadora assídua da mente e das telas de TV de uma geração do macarrão instantâneo. São 3 minutos e já foi.

terça-feira, janeiro 10, 2012

Devaneios de um carrossel



Inversamente proporcional a tudo que desejamos é a vontade de permanecer no lugar. São tantos planos e vontades que às vezes a janela não é tão grande, mas também pode ser pequena demais. Criamos razões e direções que nem sempre são as corretas, mas o certo e  o errado viraram tão relativos quanto a expectativa de vida de um gato hoje em dia (não mais 7 vidas). Já escrevi sobre a superficialidade do tempo em nosso cotidiano, mas é só quando o começo do ano está correndo que você percebe o quanto isso é errado, inversamente proporcional ao tempo do fim de ano é a lentidão proposta de janeiro a abril. O quão louco isso possa parecer é você mesmo quem determina.
Não faço mais divagações sobre as cores das estações ou a continuidade dos meus capítulos, pois eles estão estacionados na folha do calendário, ou em uma página perdida da minha agenda de 2011. Os dias demonstram o quanto simples e complicado são os espaços que você busca e não adianta dizer que o ócio é criativo o suficiente para suprir suas expectativas.
As notas de rodapé são as mais prazerosas quando se pretende viver uma vida de excessos. É só questão de tempo para descobrir isso. Essa sensação de querer estar em todos os cantos e ao menos sair de seu quarto é tão intensa que nem sempre um livro resolve seu problema. Encontrar a chave desse carrossel é difícil.
Mudar de posições durante a vida faz parte, só nunca mude sua visão política, porque isso seria trair sua juventude. Eu quero sentar e reler meus textos daqui 50 anos e buscar algum sentido na vida que trilhei e, se um dia achar, que pelo menos tenha sido completo e sem muitas vírgulas.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A geração do macarrão instantâneo


O presente, uma caixa pequenina onde cabe nossa manhã, nossa tarde, nossa semana, nosso mês. O presente no qual o agora, o instantâneo e o imediato são parceiros muito além de sinônimos. O passado é o ontem já distante, o futuro é o amanhã outrora longe, calculado, hoje anotado com dois, três rabiscos em uma agenda.
Rasgue a folinha do calendário e verá o tempo mais rápido. O tempo é constante, suas inconstâncias momentâneas é que fazem a sensação do seu relógio interno ser acelerado. Um minuto choveu, no outro escureceu, o sol saiu, ou é o inverso? Não sei, não tive tempo de olhar para o céu.
A geração do macarrão instantâneo nos consome. Século XXI computador em mãos, nos pés, nos olhos. Energia que se esvai perante o emaranhado de fios da sua mesa do escritório. Já dizia o poeta “o futuro a Deus pertence”, mas quem é Deus? Não sei, não tenho tempo para perder com fé. Fé, palavra erroneamente ligada a um passado, meu e seu, hoje.
Presente, dia a dia, presentismo dos nossos dias nos dão hoje: solidão, limites, prisão, paradoxos.
Entenda quem quiser, tire um tempo. 

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Desorganizado mundo meu


A sensação. Paira como uma brisa afasta-se lentamente. Era tarde de domingo, tenso e densamente povoado. Pessoas ao redor causavam o reboliço de muitos passos, o som que vinha do andar de cima fazia seu cabelo arrepiar ao pensar do porque precisam caminhar pela casa toda?.”desOrganizado mundo meu” dizia a plaquinha que pendurara verão passado em sua última faxina de planos, papéis e sonhos.Sabe-se pouco sobre, mas nunca o suficiente para não buscar mais. A curiosidade das pessoas é como um sala cheia, não adianta você se mexer, alguém vai sempre estar esbarrando. E elas não deixam de lotar.
O almoço estava servido, no jardim corriam algumas crianças, primos distantes, nova geração enjaulada que ao ver o verde já se sentem livres. O resumo de poucas coisas tornara-se irreal demais para ela. Desejava que Paulo estivesse lá, dividir essas sensações de solidão e presença com alguém que pelo menos entendia os rodapés da sua vida.
As pessoas conheciam seu passado, sua infância, mas não seu presente. O presente mais próximo era a fofoca sobre o moço novo que rondava sua casa. ‘Ah esses vizinhos... ’ lamentava quando sua mãe indagava quem ele era. Disfarçava com um leve sorriso e logo se voltava para o jogo de futebol sob seu jardim. Que horas eram mesmo? 

terça-feira, novembro 22, 2011

Bom dia, dia

Hoje eu quero criar um dia em que o que eu plantei seja colhido, não mais só por mim, mas por cada um. Acordei pensando em como ficar deitado é bom, mas como levantar com disposição é melhor ainda. Renda-se ao seu dia, mas não como um lamento. O despertar é o começo.