Criar, criar, criar e a falsa realidade que uma folha em branco proporciona. Captar frases soltas e salvá-las no celular são o que me resta quando as imensidões se achegam em mim nos piores momentos. Se três frases não são suficientes prefiro recortar as novas imagens que sempre estão aqui. O paradoxo que meus alter egos estão imersos é o pior dos últimos tempos. Saiam dessa inercia do poder pretender entender o que querer que isso não fará chover. Viram? Está um caco.
Voltarei a folha em branco. Paulo e Ana, ou seja lá quem agora são, aguardem.
terça-feira, agosto 16, 2011
domingo, agosto 14, 2011
Hoje acordei sorrindo
Quando eu começar uma frase coberta de todo o sentir, ao fundo tocará uma voz. E essa voz que soa como um boa mensagem solta no vento, espalhada por todas as ondas que souberem captá-la. Um momento de alegria surgiu com uns dos sorrisos mais sinceros que dei na vida, confesso que espero que ninguém tenha visto, pois são esses sorrisos que transparecem o seu ser e nem todos podem conhecê-lo.
São momentos assim que fazem com que eu me inspire e possa demonstrar o melhor de mim, até me recordo de que quando meu espelho me questiona sobre qual meu defeito incorrigível, eu respondo que é sonhar demais, manter sempre os pés fora do chão, ele sorri e responde: essa também é sua melhor qualidade. Porém, alimentar esses sonhos não é tão fácil quanto parece, precisa de muita lenha, de uma pitada boa de inspiração e pessoas que me façam experimentar tudo que a vida pode me proporcionar. E se existisse uma lista com esses momentos tenho certeza que ela será embalada pela voz que me fez sorrir.
Não sou tão boa com as palavras ditas, mas sei falar com as palavras escritas. Mais do que isso, sei captar o som que me fez chorar de alegria como nunca antes. E só tenho a dizer que um abraço pode reunir tudo que sentimos em apenas alguns segundos e as lágrimas que enxuguei no final foram um misto de saudade antecipada com certeza de que a felicidade vai cruzar seu caminho. E quero aplaudir de pé lá no final do túnel.
Um passarinhos sobrevoa sob minha cabeça e ele vai partir daqui um tempo levando com ele um pedaço do meu melhor sorriso, mas ele volta e esse é a data que já marquei na memória como um alento. E se soubesse o quanto é difícil para mim falar abertamente assim do meu eu, teria certeza que ainda estou com o sorriso bobo de alegria e orgulho estampado no rosto e que vale a pena me escancarar para dizer o quanto importante é. Voz vai ser feliz, mas não se cale nunca, por mim e por você.
terça-feira, agosto 09, 2011
terça-feira, agosto 02, 2011
Reunião da desunião de um ser
Troca-se a fase. Troca-se a cor. Um envolvimento dos dizeres que ficam por ser ditos pendurados ao rodapé. Vão-se os meses. Deixam-se sonhos. Curva-se. Aglomerados de garrafas abertas. Rios que se secam. Tons de cinza. Ronda, rezas e rumos. Pés, chão, poeira. Pano, sujeira, pedras. Partir.
Tons de preto. Cruzes, tesouros, mapas. Sai o destino, entra a coragem. Era terça, feira, fato, feitos. Figas, digas, mintas. Progrida, prossiga, remende. Deite, olhe, cegueira.
Aos três trilhões de segundos que deixei, um cego, surdo, mudo rondei. Um céu mudou de cor e um se perdeu. Choveu.
Era sem fim. Pequenas, tortas, miúdas. Espremidas, contidas, diminuídas. Contos, pontos, pedaços. Dedos, anéis, sossegos.
Engolido pelo tempo surge o indefinido. Limitar-se é a liberdade que consome a nossa expressão. Não existe sossego, só prisão. O céu é desapego sem comunhão e a transgressão não divide mais seu pão. Rumos, rondas e rezas. Um sentido de quem lê, outro de quem vê, mas nenhum de quem não sente.
segunda-feira, agosto 01, 2011
Conversas que não são jogadas fora
-Ao conto de fadas eu reservo meu alento. Foi com ele que descobri o prazer de mergulhar em um novo mundo e recriá-lo dentro de mim, a imaginação é a porta de entrada para tudo que já construí na vida. E eu ainda tenho muitas portas para abrir. Mas você sabe que tudo que já vivi nesse meu universo paralelo de imensidões mutáveis e intensidades instantâneas também me levou a descrer e crer em coisas que nunca tive acesso. E não me refiro a nada que me seja de valor, mas sim pequenos sonhos frustados atrás de papéis. Muitos deles já amarelos naquelas tarde quentes e úmidas no sebo do meu avô. Olhou ao redor e mexeu nas orelhas das folhas sobre a mesa. - Tudo que aprendi foi ali, um pouco na rua, a mesa de bar também é uma grande escola. Tudo que não vivi também foi ali e é isso que me preocupa.
Mexeu nas folhas que estavam na mesa e organizou daquela maneira frenética de quando estava nervosa. Ele observou suas mãos trêmulas e segurou-as com leveza. Trocaram um olhar de cumplicidade. A confirmação estava por vir.
Mexeu nas folhas que estavam na mesa e organizou daquela maneira frenética de quando estava nervosa. Ele observou suas mãos trêmulas e segurou-as com leveza. Trocaram um olhar de cumplicidade. A confirmação estava por vir.
Um belo dia acordo e percebo que nasci no lugar errado, talvez até na época errada. E isso não é mais um lamento de alguém que contesta seu tempo, muito pelo contrário. Esse é um lamento de quem não absorveu direito as inúmeras possibilidades de raízes que me cabem. Minha raiz maior é do interior, mas não sei se me completa por inteiro. 'Queria ser navegador...'
Acho que nasci no Estado errado e essa é minha maior certeza. Tenho um pé em cada canto desse país, uma fala de cada cultura e isso é o que eu mais gosto em mim mesma, poder ser um pedaço de tudo.
Um dia vou sair por aí a procura da minha certeza maior...caminhar em cada canto de cada estrada desse mundo gigante que se chama Brasil.
"Queria ser navegador
Nesse teu mundo estelarLua que amansa meu desejo
Estrela azul, me leva"
sexta-feira, julho 22, 2011
Aos porcos, as flores artificiais
O ponto de interseção que te liga ao seu eu é tão denso quanto a curva retilínea do seu destino. Pregado a você existem pontos, voltas, somas e espaços.
Se sentia como um papel em branco prestes a ser demarcado, rotulado, manchado, traçado. Não por suas mãos, mas com as de quem a engolem.
O peso do tempo já não é mais um preocupação estética, mas de essência. Carregar toneladas de frustrações e colocá-las em pequenas estórias hipócritas já não era um prazer como antes. Sentia vontade de cuspir nos que a prendiam na gaiola dos sonhos roubados, inventados, difamados, atormentados.
Um passo adiante tão curto e tão distante quanto uma caminhada de dias na floresta. Preferia se conter, se manter, se conhecer. Aos 28 e não possuía autocontrole emocional. Já dizia o poeta ' a vida é uma intenso conhecer de si mesmo'. E quem era a vida? E conhecer a quem? Procurar o que? A dúvida e as incertezas são consumíveis até os dentes. Não existem certezas. E essa busca já não interessava mais.
Olhou pela janela e viu as primeiras gotas de chuva escorrerem pelo vidro, a tarde quente de verão e a janela fechada. Abafava seus sentimentos como se cozinhasse aquele prato preferido dele. O telefone não tocou aquela tarde, nem pela manhã. A noite precisava de um convite ao som ora perturbador daquela máquina com números, ora vital em dias em que a escuridão não seria remédio e sim veneno.
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